Um trabalho através de estímulos
deve começar o quanto antes.
Pesquisas comprovam que a música é acessada pelo cérebro de forma única, sináptica e incluindo a emoção.
Em anos de trabalho com crianças neurodivergentes, constatei que através de um
trabalho contínuo é evidente o aumento no desenvolvimento cognitivo, físico e psicossocial, e, na
maioria dos casos, houve uma considerável redução dos medicamentos.
Um dos ganhos mais interessantes é o aumento da concentração e do compartilhamento da atenção através da música
e de histórias sonoras. Essa ponte até o mundo da criança é a porta de entrada
de aspectos sensibilizatórios, despertando respostas mais expressivas e elaboradas.
AS AULAS
Bebês, crianças e adolescentes que experienciam o momento musical expressivo em grupo, podem se perceber individual e socialmente a partir da interação.
A adaptação de um aluno com desafios especiais deve ser feita de maneira cuidadosa e ao mesmo tempo, acordando
o grupo para a necessidade de acolhermos o novo integrante e as suas demandas.
Em todos os casos, percebi uma grande melhora na energia coletiva do grupo, passando ele
a tornar-se mais homogênio e tranquilo após a chegada da criança em condições neurodiversas.
É uma troca! E sabendo aproveita-la da melhor maneira, torna-se rica para todos!
É a prática de inclusão e de conscientização social e individual que faz da criança de hoje, um adulto mais aprimorado e respeitoso no futuro.
A pessoa que traz desafios especiais, com ou sem diagnósticos, necessita de atenção especializada. Há casos em que o melhor a fazer é iniciar o
trabalho de musicalização individualmente antes de sua inclusão em um grupo. Isso
pode durar um mês ou vários meses, a depender do caso. Esse momento
individual tem como objetivo principal buscar "pontes" de
comunicação, interesse (concentração) e de outros aspectos estimulantes. Além disso, entender quais demandas de suporte o aluno traz, auxiliará no trabalho adaptativo físico, cognitivo ou psicossocial. Um acolhimento, conjugado com adaptação de apoios, gera o aumento da segurança emocional. É um processo fundamental e considerado pré-requisito para a posterior
integração em um grupo.
A ansiedade familiar de que a inclusão no grupo aconteça de imediato, às vezes
acaba prejudicando o processo de "chegada" dessa criança. Há
duas fases de adaptação da criança em condições neurodiversas:
A primeira, é a adaptação dela no ambiente novo,
desconhecido, com adultos e crianças que não conhece. É aí que entra a fase de
trabalho individual, de onde surgirá a confiança no educador, no espaço e no
trabalho. É a oportunidade de se estabelecer a dialética, o contato mais próximo e afetivo.
A segunda fase é a adaptação do grupo no qual a criança será inserida. Momento em que será trabalhada a integração de todo o
grupo nos seus aspectos mais sutis, de respeito às diferenças, de musicalidade, de troca e de
amor.
Precisamos fortalecer a primeira etapa - individual, para que a segunda seja elaborada com sucesso!